Recortes descuidados, descontinuidades bricoladas!

Últimas

Aplausos para o convidado de honra

Estávamos recebendo algumas visitas aqui em Ohilang, Sudão do Sul. Bom, para alguns de nós não eram quaisquer visitas. Eram simplesmente o diretor internacional da MIAF, o líder da MIAF para toda a região central da África, o líder da MIAF para o Sudão do Sul, mais o piloto da AIM Air que os trouxe e um fotógrafo que veio para documentar um pouco das montanhas Lopit.

Como de costume com os visitantes, eles passaram lá em casa, no alto da montanha, para tomar uma água – sempre preciso depois da ‘escalada’ – e depois os conduzimos para ver a vila/tribo.

O lugar mais importante da vila é uma ‘praça’ onde as celebrações ocorrem e onde os assuntos da comunidade são discutidos. Uma espécie de parlamento ou, se você está mais acostumado com as histórias bíblicas, os portões onde os cidadãos ou a liderança discutiam os mais diversos assuntos relacionados à comunidade.

Ao chegarmos no ‘parlamento’ havia uma série de pessoas nos esperando. Toda a liderança atual – que é escolhida de geração em geração – e mais diversos homens da vila. Sim, esta é outra caracerística da cultura que, se tentarmos traduzir para a nossa, diria que apenas os homens são cidadãos.

Nosso líder local começa então a apresentar os visitantes.

 

-       Este é Fulano A, como a maioria de vocês conhece. O líder da MIAF para o Sudão do Sul.

 

Algumas poucas palmas puderam ser ouvidas. Nada de muito novo, não é verdade?

 

-       Este é Fulano B, líder da MIAF para a região central da África!

 

A mesma reação. Será que eles estão realmente entendendo o que estamos falando? Será que eles não querem nos receber bem hoje? Geralmente eles recebem os visitantes com honra…

 

-       Este é o Big Fulano C, o líder internacional da MIAF, que cuida da MIAF em todos os países do mundo. (Geralmente tendemos a hipérbole quando não sabemos o que falar).

 

Um burburinho aqui outro ali. Algumas poucas palmas.

 

Mas, bom, é melhor continuar…

 

-       Este é o Coadjuvante Fulano D, o piloto do avião.

 

-       Ooooooohhhhhhh!!!!!!!!

 

Meu Deus. Teve gente que levantou pra aplaudir. Como estavam surpresos, honrados e felizes porque o piloto daquela máquina incrível que de vez em quando passa por aqui estava entre eles.

Toda essa história fez-me refletir sobre liderança. O quanto status e poder são relativos aos nossos valores.

A Bíblia geralmente fala que aquilo que é valor no Reino de Deus não é tão aparente quanto o que achamos que deveria ser ou é. Pelo contrário, parece que o que todo mundo acha ter status e valor está na contra-mão do Reino de Deus.

Espero que essa pequena história sirva como metáfora para uma reflexão sobre onde colocamos nosso coração, quais motivações constroem nossos relacionamentos e como outros valores que consideramos tão certos e absolultos podem ser relativizados ou contestados.

Na periferia… (um pensamento sobre contextualização)

Periferia_Stutz

 

Foi Murray Shafer, em seu maravilhoso livro A Afinação do Mundo, que falou sobre a forte relação entre som e poder. Em um exemplo que instigou minha curiosidade e reflexão, narra as grandes mudanças na vida das pessoas a partir dos sons. Antes os sons da natureza e da vida no campo e a forma como a chegada da igreja, com o seu sino no alto da torre, interferiu nessa paisagem sonora. Uma relação de poder. Não a toa, sino em inglês é bell e não seria de se espantar se, por acaso, fizéssemos a relação com a palavra bélico. Entre o sino e o canhão parecem existir relações íntimas, como nos convidaria Tchaikovsky a instintivamente refletir em sua maravilhosa obra 1812.

Esta foto foi tirada no ultimo fim-de-semana em Lohutok, uma das principais vilas do Sudão do Sul. Dos frustrativos resultados de uma tentativa de fotografar um casamento – o relato deve ficar, possivelmente, para um futuro post – consegui esta foto e me encantei por ela.

Esta menina está no limite de dois mundos. Observa atenta as mudanças aparentemente inevitáveis e, para alguns muitos, impositivas. Apesar de não estar totalmente dentro, dá as costas para algo que é importante para ela. Entre as cores e o brilho da luz do dia, algo se esconde ali dentro. As cores lá dentro são mais escuras. O jeito de falar é diferente. O jeito de se comportar é diferente. O tempo ali é diferente.

O limite é entre o que ela conheceu por vida até ali e a igreja.

Um casamento Lopit acontece a céu aberto. Tiros convidam as pessoas ao lugar do evento e o que elas estarão prestes a viver é uma festa. Tambores e cantos darão o ritmo das danças, das relações, das risadas. A comida será compartilhada com fartura, assim como a bebida. Se quiser medir o tempo, ele terá no mínimo dois dias. Mas o tempo é suspenso quando se vive aquilo ali.

O casamento que presenciei não teve muita alegria. A dança foi coreografada. Basta viajar um pouco e descobrirá que a coreografia foi criada ou copiada da liturgia de algum culto no Quênia. Os pastores falaram de coisas diferentes. De que não se podia casar com alguém que não era cristão. Uma mensagem mais que direta a noiva que era inimiga da ordem ali criada, ou melhor, católica. O tempo, assim como a palavra, demorou para passar. Não porque podíamos contar as luas, mas porque a angústia provinda da tentativa de aprisionar e controlar eram um convite para sair daquele estranho prédio e novamente encontrar a alegria da vida no brilho do sol e na variedade das cores.

Esta menina está na periferia e com ela quero estar. Não quero ganhar nenhum significado pronto. Quero fazer parte dessa construção que chamamos vida. E esta não está aprisionada a lugar algum. Ela caminha, ali onde eu mesmo estava. Na periferia…

 

 

Sai pra lá… português!!!

Sempre imaginei se seríamos capazes, como seres humanos, de criar palavras e sons totalmente diferentes. Por exemplo, teríamos infinitas combinações de sons para falar “casa”? Ou a palavra “casa”, o som dela, poderia assumir diferentes significados?

Com o inglês foi difícil de refletir sobre isso, porque é uma língua muito “internacional” e já influenciou demais as outras línguas. Mas agora que começamos com o Lopit, algumas situações engraçadas aconteceram.

Tenho um amigo com o sobrenome “wong”, por exemplo. Se não me engano, a procedência de seu nome é chinesa. Aqui em Lopit “wong” significa “vem”.

Algumas palavras são comuns. Manga é manga, tomate é tomate. Isso traz a curiosidade sobre as origens das palavras. Quem influenciou quem? Em swahili “mesa” é “mesa”.

Mas teve um episódio que eu preciso contar:

Eu estava sentado na parte alta de um dos terrenos de uma casa aqui. Lugarzinho difícil de subir, terra e pedras. Mas beleza. Cheguei lá.

Foi então que tive de deixar o lugar as pressas e comecei a descer o barranco correndo. Então, lá de cima do morro, uma mulher começa a gritar:

-       Cai! Cai! Cai!

Devo admitir que várias coisas passaram na minha cabeça.

-       Primeiro pensei: Filha da mãe! Que que ela está torcendo pra eu cair e sair rolando morro abaixo?

-       Segundo pensei: Putez grila, a desgraçada não me falou que sabia falar português!!!!

-       Então, já cheio de espanto, veio um pensamento final: Pelo amor de Deus! A mulher tá endemoninhada! Falando em portugês torcendo pela minha desgraça!!!!

Pois é, desgraçado era eu que havia esquecido que “cai” em Lopit é “devagar” e que a mulher, agora cheia de graça, tentava apenas cuidar de mim.

 

Você tem histórias parecidas? Mande pra gente!

O meu sonho é dormir… Ou, se pelo menos desse, sonhar…

Quis escrever um texto sobre o Sudão do Sul. Sentei, pensei, chorei e nem sequer ainda sei por onde começar. Parece que falar sobre paz e esperança é fácil quando não se está aqui. Mas algo acontece quando cruza-se fronteiras. Não são apenas fronteiras geográficas, elas são fronteiras de realidades.

Cheguei no Sudão do Sul junto com os ultimos conflitos, em dezembro de 2013. Após 10 dias aqui tive, junto com a equipe de trabalho, que ser retirado pelos riscos apresentados naquele momento. Voltamos mais de um mês depois e aqui estamos, pela graça e amor de Deus.

Acabei de ler alguns artigos enviados para mim, como também uma petição do Avaaz. Moro nas montanhas ao sul do país. Aqui, sem TV, tendo o unico acesso a Internet, sem outra fonte de informação, a não ser o boca-a-boca de uma língua que ainda não compreendemos, parece que tudo está distante. Ou melhor, pareceria, se não fosse o fato de que a violência e mortes presentes no Sudão do Sul não são apenas factuais. Não sãos apenas os números e fotos de corpos empilhados. Há algo mais estrutural, algo que está neste povo, mais perto que a roupa do corpo, no jeito de ser, na maneira que aprenderam a sobreviver. Um disco que gira ao contrário, enquanto se convida a dançar o avesso do que poderia se chamar vida.

Deixo o convite para ler mais sobre a história complexa deste país que vai muito além dos recentes fatos divulgados pelos meios de comunicação, embora esses escrevem mais um capítulo da mesma.

Semana passada estava numa reunião para reconciliação e paz entre as duas comunidades que trabalhamos. A primeira reunião havia falhado. Esta era a segunda e contava com a presença de gente “mais grande”. Foi então, após ouvir as queixas das vítimas – queixas reais de gente que havia sido agredida, roubada, abusada, perseguida – que uma das maiores autoridades presentes se levanta para dar o veredito: “se isso acontecer de novo, vamos enviar o exército para as comunidades e eles estuprarão suas esposas e filhas”. Reunião de paz…

Fiquei noites sem dormir.

Na estrada de terra que corta o país vê-se vans abarrotadas. Gente, colchões, algumas roupas, cadeiras. A bagagem dobra a altura do carro, enquanto dentro o que se carrega é caco de gente. Gente tentando fugir. Refugiados, nome que damos pra gente que já não sabe mais a quem pertencer.

Será que não há nenhuma pista do que seja a vida nesse lindo país?

Leio as petições e assinaturas. A solução do mundo são tropas de paz? Nações Unidas? Com muito temor apenas cito o que ouvi até agora por aqui. Ou seja, sem provas e com temor não é uma acusação, é uma reprodução. Ninguém é amigo da ONU aqui. Contra eles existem as mesmas queixas: estupros de comundiades, roubos, abusos de autoridade. Ainda que essas acusações mais fortes não sejam verdade, a ajuda externa internacional tem demonstrado ser uma âncora para países como Sudão do Sul, tão pesada que nem os sonhos, nesta altura já afogados, conseguiriam içá-la novamente. Pelo que estamos realmente assinando?

Na ultima reunião de paz reconheci, aqui neste pequeno mundo, algo diferente. Os seguranças do chefe regional tinham armas que eu estava cansado de ver por aqui. Mas quando os seguranças dos chefes maiores chegaram as armas também mudaram. Vinham de outro país…

Pobres são as teorias da conspiração, e não quero nem criá-las e nem usá-las. Mas todos sabem que além do poder há outro algo – que traz poder – que é epidêmico por aqui: dinheiro. E parece que, tratando-se desta doença, o nome do Ocidente está sempre envolvido.

Como queremos realmente ajudar? O que devemos fazer?

Uma jornalista, Deborah Scroggins, escreveu há alguns anos atrás, após ter vivido anos aqui, “a vida foi e é tão difícil no Sudão que as vezes parece que o sudanês prefere pensar sobre morte e o sobrenatural…”. No seu relato, sonhos e visões apareciam ainda como língua comum. Esse sonho e esperança, parece, se diluíram há tempos.

Vejo ainda gente, do outro lado do mundo, com carinho se preocupando: por que estamos aqui? Agradeço e, faço-lhe também a pergunta: por que você está ai?

As trevas das quais fui salvo, pela graça do meu Senhor, Jesus Cristo, não é um lugar geográfico – embora elas estejam densas nesta região. É algo existencial. Ninguém, sendo transportado para a luz, é convidado para esconder-se e muito menos para fugir da escuridão. Luz que é luz vai caminhar no meio da escuridão, é ou não é?

Qual reino temos orado para vir? De quem é a glória, o reino e o poder?

Seremos nós também refugiados?

Queria, sim, que você perdesse algumas noites de sono. Tem gente aqui que queria dormir na esperança que o pior dos pesadelos fosse melhor do que a vida vivida acordado.

Não tenho resposta para o seu envolvimento. Mas deve haver um envolvimento. Ore, dobre seus joelhos, chore. Mas essa ainda não é a sua reposta, ok? Faz parte do caminho e do envolvimento.

Juntos podemos achar algo. Junto com eles. Junto com Ele. O que não dá mais é pra fechar os olhos enquanto tem gente com medo de fechá-los e nunca mais abri-los.

Sobre viagens missionárias de curto-prazo

Estava refletindo sobre a vida aqui no meio das montanhas, na região Sudeste do Sudão do Sul, quando algumas lembranças de minha primeira viagem missionária de curto-prazo vieram a minha mente.
Tinha apenas 16 – o mais jovem da equipe – quando me vi desafiado a participar desta viagem para o interior do Ceará. Não consigo lembrar e nem sei se havia algum sentimento legítimo no que diz respeito a missões, “paixão pelo perdido” ou qualquer coisa do tipo. Lembro que o fato da pobreza foi algo que me ‘atraiu’ à ação e isso é importante quando reconheço esse mesmo traço na minha atividade atual.
Foi no processo de treinamento e nesta viagem a primeira vez que admirei características de liderança, no caso uma pessoa não muito mais velha que eu. Lembro de observar e de apreciar as colocações, decisões e postura frente as demandas e desafios que vivemos. Ainda hoje, mesmo com a distância e com a falta de contato, o tenho como um ícone de liderança para a minha vida.
Foi minha primeira experiência transcultural. Sempre pensamos que precisamos cruzar fronteiras nacionais para experienciar isto. Com a mesma frequência insisto que isso não é verdade. Dentro do mesmo país podemos viver realidade e culturas tão diferentes. Foi, inclusive, nesta viagem que tentei comprar algo no interior da Bahia e não tive êxito… por causa da língua! O vendedor não entendeu o português que falei e eu também não consegui entender o dele.
Foi nesta viagem que tive minha primeira convivência diária em grupo . Foram menos de 30 dias, mas lembro que as dinâmicas ao viver toda essa diferente experiência em grupo trouxeram å minha vida influências mais positivas do que negativas. Sei que essa não foi a realidade para todos os que participaram, mas voltei com grande admiração e respeito com as amizades que construímos ou estreitamos naqueles intensos dias. Há um consenso de que o viver em equipe é um dos maiores desafios do trabalho missionário. Mas há um consenso de que é através dos relacionamentos e seus desafios que somos construídos e transformados em pessoas melhores.
Foi nesta pequena viagem que alguém investiu na minha vida em uma área que eu nem sequer entendia – de verdade e na minha auto-estima – que Deus poderia me usar. Foi neste tempo que pela primeira vez ‘dirigi’ o louvor e ainda na frente de muitas pessoas que não conhecia ou não eram cristãs. Alguém simplesmente olhou para mim e acreditou que eu o poderia fazer. Este fato simplesmente mudou muito dos rumos da minha história.
Foi após essa viagem que fiquei com uma impressão mais humana daquilo que chamamos missões. Éramos gente normal, jovens, sem muito conhecimento ou experiência profissional para oferecer. Lá encontramos gente. Simples como simples é essa observação. Descobri que o resultado não pode ser medido em números, seja este de conversões, projetos, doações ou qualquer outra coisa. O trabalho nunca é mais importante que o ‘encontro’. Nada paga o tempo em que vida é compartilhada.
Fiz outras viagens de curto-prazo muitos anos após esse tempo em Umari. Voltei dessas mais crítico com relação a este tipo de ‘investimento’. Foram experiências mais difíceis, com mais maturidade pude ser mais crítico e poderia escrever um texto mais negativo sobre estas. Mas esta regressão traz-me a sensação da importância desse tipo investimento. Não sei se tanto para aqueles que nos recebem – deixem sempre eles falarem por eles mesmos -, mas na construção daqueles que vão, de perto vêem, escutam, falam e, o que a distância não pode suprir, tocam e cheiram.
Com sabedoria no investimento – escolha de lugar, atividades, perfil da equipe e orçamento – acredito que experiências como estas pode mudar o rumo de muita coisa. O que é mais honesto e importante: em nós mesmos!

Meus 34

É nos 34 anos que começo a sentir paz em ser o que não sou
Antes rejeitava o que era na tentativa de ser
Hoje admito que não sou na busca de ser
Não como mais um artifício para construir o ser
Mas no amor à honestidade de que o ser contém em si o não ser

Aos 34 quero ser faminto
Aquela falta que traz a vida na oportunidade de se sentar à mesa
E descobrir que a fartura não está apenas na comida
Mas nesta compartilhada, usufruída em conjunto
Não oferecida pela diferença de poder
Oferecida na mesa que é comum a todos que não são.

Aos 34 quero ser desabrigado
Em outras palavras, quero caminhar nu
Quero cada vez mais descobrir as desnecessidades de todos os abrigos que construí tentando ser
Reforço, desabrigar é caminhar. Apenas quem não está preso ao seu próprio teto descobre que a vida é mais, maior, melhor, infinitamente mais vida…

Aos 34 quero chorar
O chorar é a não negação da vida.
Perceber que encontrar o ser é sofrer
Se “o amor tudo sofre”, o amar é sofrer
Encontrar a vida é assumi-la nas suas complexidades, contingências, perdas, ausências, rachaduras, incompletudes
É sofrer por amá-la
Porque o remédio é a ilusão de vivê-la

E assim, aos 34 anos quero lembrar
34 vezes ao dia lembrar que sou lembrado
Porque a vida não está na tentativa de cobrir as ausências
A maravilha da vida está na eterna lembrança de que sou amado

O que é a vida?
É tudo o que aquele que ama sustenta.
Aquele que sendo sustenta a minha impossibilidade de ser
E amando não o é só,
para que eu, ainda que faminto, desabrigado e marcado
jamais o seja só.

Barro

Casas de barro. Somos casas de barro.
Esta semana tivemos que reformar nossa casa.
Ela tinha jeito de casa. Ela ainda era uma casa.
Mas as rachaduras…
As rachaduras aparecem. O sol, o vento, as gentes que entram e saem.
As rachaduras não eram vazias
Ali não estava a vergonha, o medo, a imperfeição
Surpreendente é que ali a cada dia havia uma nova vida
Lagartixa, besouro, formiga, escorpião
Ela é de barro e o barro não é indiferente à vida.

Com muito trabalho a reforma veio.
Barro se reforma com barro. Gente se faz gente com gente.
Mas por mais que se tente disfarçar, as rachaduras ficam ali.
Agora são cicatrizes. Marcas que caminham pelas paredes.
A tentativa de cobrí-las afastou um pouco a vida que tínhamos.
Já não vemos mais alguns dos que viviam ali.
Mas hoje são cicatrizes.
São marcas que não negam: estão ali.

Porque é de barro que somos feitos.
E sem suas rachaduras…
Ah, sem elas não há vida e nem brisa
e nem fôlego!
Há fuga!

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.453 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: